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Governo abre consulta pública sobre fim da obrigatoriedade de autoescola para tirar CNH

02 de outubro de 2025Redação
Governo abre consulta pública sobre fim da obrigatoriedade de autoescola para tirar CNH

Brasília — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou, nesta quarta-feira (1º), a continuidade do processo que pode pôr fim à exigência de autoescola para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A proposta será submetida a uma consulta pública, prevista para começar nesta quinta-feira (2), e passará por análise do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

A medida, defendida pelo ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), pretende reduzir os custos de habilitação, hoje estimados entre R$ 3 mil e R$ 4 mil. Segundo o ministro, o valor elevado tem levado milhões de brasileiros a dirigir sem habilitação. “Queremos garantir acesso à CNH com menos burocracia e custo menor, sem abrir mão da segurança”, afirmou.

De acordo com a minuta apresentada, os candidatos continuariam obrigados a realizar os exames teórico e prático aplicados pelos Detrans, mas poderiam escolher a forma de preparação: aulas em autoescolas, cursos online, estudo autônomo ou com instrutores independentes credenciados. A supervisão ficaria a cargo da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) e dos próprios Detrans estaduais.

Atualmente, a legislação prevê carga mínima de 45 horas/aula teóricas e 20 horas práticas, além de aulas noturnas e, em alguns estados, uso de simulador. Caso aprovada, a mudança pode representar economia de até 75% para o candidato, reduzindo o custo médio em até R$ 3,2 mil. Estudos internos apontam para uma economia anual de R$ 9 bilhões à população.

Apesar do aval presidencial, a proposta divide opiniões dentro do governo. A deputada Gleisi Hoffmann (PT) declarou que a iniciativa é do ministro Renan Filho e não uma orientação formal do Executivo, ressaltando que o tema será amplamente debatido.

A ideia também enfrenta resistência do setor de autoescolas, que teme impactos econômicos e questiona a qualidade da formação sem a obrigatoriedade do curso. Especialistas em trânsito alertam para riscos de precarização do aprendizado e eventual aumento no número de acidentes.

Já a Associação Nacional dos Detrans informou que acompanha o tema com atenção, sem posicionamento oficial até o momento.

Se aprovada pelo Contran após a consulta pública de 30 dias, a medida poderá entrar em vigor ainda em novembro de 2025, inicialmente para as categorias A (motos) e B (carros).

 

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