ITAPEVA

SEM PROGRESSO E SEM PRESERVAÇÃO

01 de junho de 2024Redação
SEM PROGRESSO E SEM PRESERVAÇÃO

Relembre um pouco da história do antigo Camelódromo de Itapeva/SP

A foto registrada por Marlene em meados de 1996, esposa de Amil Dornelas, na Praça dos Camelos, retrata um cenário de trabalhadores informais lutando para sobreviver. Na foto, entre uma barraca e outra, da pra ver o Senhor Amil (conhecido como Cigano), que foi um dos primeiros ambulantes a se instalar no local. Feirantes como Marlene e Amil montavam suas barracas de ferro, madeira e lona, enfrentando sol escaldante e chuvas, que muita das vezes, em dias chuvosos, comerciantes perdiam boa parte de suas mercadorias. Durante anos, esses trabalhadores se sustentaram por meio de um trabalho honesto, mas repleto de desafios.

FOTO ARQUIVO PESSOAL

Por mais de uma década, os feirantes atuaram na Praça dos Camelos, até que a área foi revitalizada e transformada em um camelódromo com boxes, proporcionando um espaço mais estruturado para os comerciantes locais. No entanto, no início de 2023, o prefeito Mario Tassinari ordenou a demolição do camelódromo, causando grande revolta na população de Itapeva e afetando significativamente a vida dos comerciantes que ali atuavam.

FOTO ARQUIVO PESSOAL

Cerca de 22 anos atrás o então vereador Paulo Saponga, inspirado por uma viagem a Arapoti/PR, visualizou a criação de um espaço similar para abrigar os feirantes de Itapeva. Ele se lembrou das barracas improvisadas na Praça Furquim Pedroso, onde os trabalhadores enfrentavam dificuldades extremas, como correr para salvar suas mercadorias durante as chuvas e pagar aluguel para guardar os produtos à noite.

Saponga decidiu transformar aquele cenário caótico, parecendo um acampamento desorganizado, em algo mais estruturado e digno. Junto com seu irmão Carlinhos, ele vislumbrou o 1º Shopping Popular de Itapeva. As etapas iniciais envolviam convencer os feirantes da importância do projeto e formar uma associação com estatuto registrado. Após várias reuniões na Câmara de Itapeva, Saponga conseguiu apoio suficiente, inclusive do então prefeito Wilmar, para seguir adiante com o projeto.

A construção enfrentou vários obstáculos, desde a terraplanagem e compra de materiais até a mão de obra local. Incentivado por apoiadores como o Sr. Walter, Saponga perseverou. Ele prometeu ao prefeito que o camelódromo se tornaria um cartão postal de Itapeva, gerando empregos e atraindo compradores. E podemos afirmar com propriedade que se tornou!

Foto arquivo pessoal

Por anos, o camelódromo serviu como um centro comercial vital para a cidade. No entanto, após a recente demolição, o local agora está abandonado, deixando para trás apenas memórias e mato.

A transformação da Praça dos Camelos em um camelódromo foi um marco na história de Itapeva, simbolizando a luta e a resiliência dos trabalhadores informais. A sua demolição, por outro lado, gerou um sentimento de perda e nostalgia, refletindo as complexas dinâmicas de desenvolvimento urbano e a necessidade de equilíbrio entre progresso e preservação.

 

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